
Conhecida como a “Bonequinha do Cinema” e a “Namoradinha do Brasil”, a atriz Vera Nunes foi uma das maiores estrelas que o cinema nacional já conheceu nas décadas de 40 e 50, uma das épocas mais ricas das artes brasileiras. Raro Talento, o livro que conta sua trajetória pública e pessoal, foi lançado pela Coleção Aplauso – Série Perfil, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Vera Nunes começou a trabalhar como radioatriz no Teatro da Mocidade da Rádio do Ministério da Cultura aos 16 anos e logo estreava no cinema com o filme carnavalesco Noites de Copacabana. Foi protagonista de um dos períodos de maior efervescência do cinema brasileiro, quando aconteceram diversas tentativas de industrializar a produção cinematográfica, e atuou em mais de uma dezena de filmes. Seus maiores sucessos foram Presença de Anita e Suzana e o Presidente. Vera Nunes construiu uma sólida carreira também no teatro, onde contracenou com Paulo Autran, Tônia Carrero, Walmor Chagas, Carlos Zara, entre tantos outros. Estreou na televisão em 1952, inaugurando a TV Paulista, e seu papel mais marcante foi como Ismênia, na novela As Minas de Prata.
Em seu depoimento, Vera Nunes conta ter optado por parar de fazer cinema quando chegou o Cinema Novo: “Não tiro o valor desses filmes e nem seus méritos, mas eles não deixaram espaço para os outros. Então, para mim, as comédias, as histórias românticas tinham acabado. Eu não tinha perfil para ficar mostrando o corpo, essa história da exposição da mulher – se não tinha feito quando era mocinha, quanto mais com uma certa idade. Então, fui me afastando”. Seguiu com a carreira na televisão e, sobretudo, nos palcos, chegando, inclusive, a ter a sua própria companhia teatral.
Sobre a Coleção Aplauso
Com 156 títulos já lançados que contam a história do cinema, da televisão e do teatro brasileiro por meio de seus principais protagonistas, a Coleção Aplauso foi idealizada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em 2004. Nesses quatro anos, a coleção retratou a trajetória e o trabalho de artistas consagrados e contemporâneos como Sérgio Cardoso, Anselmo Duarte, Aracy Balabanian, Bete Mendes, Eva Wilma, Fernando Meirelles, Gianfrancesco Guarnieri, Leonardo Villar, Maria Adelaide Amaral, Paulo José, Raul Cortez, Sílvio de Abreu e Zezé Mota.
A coleção é coordenada pelo crítico de cinema Rubens Ewald Filho e traz sobretudo livros no formato pocket e com preços populares. Os textos são leves e escritos em primeira pessoa por jornalistas a partir dos depoimentos dos biografados. Além dos perfis, são publicados roteiros de cinema, muitos deles comentados e acrescidos de crítica e ficha técnica, compondo documentação inédita sobre a filmografia nacional dirigida ao público em geral, mas que interessa, sobretudo, a estudiosos e pesquisadores.
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